Vencendo o que já foi vencido


Por: Ivan Junior|

Para vencer o que já foi vencido, basta continuar vivendo!

Mas como continuar vivendo diante da morte? Como continuar vivendo no momento do luto?

A resposta começa por conhecer aquilo que foi realizado na cruz.

O conselho de Paulo aos tessalonicenses foi:

“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que dormem...”
1 Tessalonicenses 4:13a

Depois de conhecer, é preciso acreditar na esperança:

“...para que não vos entristeçais como os demais, que não têm esperança.”
1 Tessalonicenses 4:13b

Na ressurreição de Cristo, a morte foi vencida!

A morte até poderia admitir que Jesus era o Alfa, pois Ele é o Autor da vida. Mas poderia imaginar que ela própria era o Ômega, pois, até então, parecia representar o fim.

Então, as palavras de Jesus a João, no Apocalipse, revelam uma realidade completamente diferente:

“Não temas. Eu sou o Primeiro e o Último. Aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos...”
Apocalipse 1:17-18

Na ressurreição, a morte perde sua última palavra!

Aquilo que parecia ser o fim deixa de determinar o destino daqueles que estão em Cristo.

O apóstolo Paulo, convicto disso, desafia a própria morte:

“Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”
1 Coríntios 15:55

E conclui:

“Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.”
1 Coríntios 15:57

O convite de Paulo, por meio da carta aos Coríntios, é para uma fé firme e perseverante. Uma convicção interior que não é destruída pelas circunstâncias exteriores.

Por isso ele conclui:

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis...”
1 Coríntios 15:58

Esperança não significa ausência de tristeza. Também não significa ignorar a realidade da morte. Significa sofrer sabendo que a morte não possui a palavra final.

A morte faz parte da nossa realidade, mas a vida em Cristo redefine a nossa esperança!

Minha família e eu estamos passando pela dor do luto, em uma escala diferente, pela perda da nossa gatinha Abelly. Alguém a envenenou, e ela enfrentou a realidade da morte.

Quanto à pessoa que fez isso, Deus conhece e julga todas as coisas. A mim cabe não alimentar o ódio e buscar o caminho do perdão.

Para o meu filho Lorenzo, porém, tem sido ainda mais doloroso. São seus primeiros contatos conscientes com o luto, e ele também era muito próximo da Abelly.

Algo inesperado aconteceu algumas semanas atrás e, refletindo hoje sobre aquilo, percebo ainda mais que não podemos permitir que a dor nos faça deixar de viver.

Quando paramos completamente diante das perdas, corremos o risco de não perceber o broto nascendo em terra seca.

Meu filho, de sete anos, pediu-me no carro para tocar a canção “Meia-Noite”. Meses atrás, ele ainda pedia músicas de “3 Palavrinhas”.

Se eu concentrar toda a minha atenção nas tragédias, vou piscar e, de repente, ele estará pedindo outras músicas, crescendo, mudando e construindo sua própria história.

E talvez eu me pergunte:

“Quando foi que tudo isso aconteceu?”

Ele está crescendo.

E a vida passa rapidamente, como uma neblina.

Tiago 4:14

Com a perda da Abelly, procurei ensinar a ele que ainda podíamos agradecer ao Papai do Céu pela oportunidade que tivemos de conhecê-la, cuidar dela e guardar as lembranças que construímos juntos.

A vida pertence a Deus. E, diante daquilo que Ele não nos revelou completamente, também aprendemos a confiar.

A morte já foi vencida em Cristo.

Ela ainda dói. Ainda provoca lágrimas. Ainda faz parte da experiência humana.

Mas não possui mais a palavra final.

É nisso que acredito.

Não quero negar a realidade; quero enxergá-la à luz da verdade revelada em Cristo.

Diante de tudo isso, permanece a pergunta de Jesus:

“Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?”

Lucas 18:8

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