Fora do caminho

Por: Vinícius Maciel | Explicação em vídeo disponível no final |

Hoje quero convidar você a refletir sobre as mudanças que transformaram a nossa realidade atual. Algumas singelas, outras nem tanto, mas todas mudaram a forma e o estilo de vida, inclusive no aspecto espiritual.

O objetivo deste texto é fazer você compreender e refletir sobre os processos que provocam essas mudanças de pensamento e comportamento em cada geração.

A primeira reflexão se alinha ao título do texto: ações em cadeia, onde uma ação leva a outra e gera consequências positivas e/ou negativas.

O cérebro humano é uma máquina maravilhosa, o que considero uma das mais brilhantes e complexas criações de Deus. Ele se expande em capacidade, mas também pode se limitar em sua funcionalidade, dependendo do estímulo e do ambiente em que está inserido.

Se há a necessidade de pensar logicamente, ele desenvolve esse campo desde que haja estimulação. Se há a necessidade de falar, ele também desenvolve a área responsável pela linguagem, quando devidamente estimulado.

Com o poder da nossa inteligência, aliado ao instinto de sobrevivência, criamos ferramentas, táticas, conceitos e ensinamentos que nos ajudaram a evoluir como sociedade, seja tecnologicamente, seja socialmente.

Ao longo de todo o período de existência humana, as invenções surgiram para facilitar a sobrevivência, com a criação de ferramentas como a faca, a roda, técnicas para produzir fogo, métodos de armazenamento, entre outros.

Desenvolvemos a área criativa do cérebro e fomos ainda mais longe, aprendendo a superar desafios e obstáculos relacionados à nossa sobrevivência.

Contudo, chegou um momento em que passamos a criar não mais para sobreviver, mas para encurtar caminhos. Descobrimos que, se realizássemos nossas atividades em menos tempo, teríamos mais tempo para angariar recursos. A partir daí, a invenção por necessidade deu lugar à invenção por atalho, motivada pelo orgulho e pela soberba.

Após o dilúvio, os homens quiseram provar que poderiam ser autossuficientes, sem Deus, e começaram a construir uma torre que alcançasse o céu, com o objetivo de chegar até lá sem depender d’Ele,2 um atalho para o caminho.

Vendo isso, Deus interrompeu a obra, confundiu as línguas, fez com que não se entendessem mais e os espalhou sobre a terra. Deus já havia ordenado que o homem se espalhasse e enchesse a terra (Gênesis 1:28), mas o atalho era mais atrativo: mais rápido, mais fácil e sob controle humano, o homem no centro.

Quando Jesus foi tentado pelo diabo, também lhe foi oferecido um atalho:

“Dar-te-ei toda esta autoridade e a sua glória, porque a mim me foi entregue, e a dou a quem quiser.

(…) Se prostrado me adorares.”

(Lucas 4:6–7)

Reinar sem sofrimento, encerrando ali tudo o que estava escrito. Seria fácil e indolor, mas com consequências. Todo atalho tem um preço.

Talvez você ainda não tenha entendido plenamente o sentido deste texto, mas chegou a hora.

Jesus disse:

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.”

(João 14:6)

Ao longo da história da humanidade, percorremos atalhos, buscando encurtar a linha de chegada em nome do conforto e da praticidade. Porém, o conforto excessivo e a praticidade nos conduzem a uma vida fantasiosa, a uma distorção da realidade. É uma cadeia de acontecimentos que nos trouxe até aqui.

Todos querem chegar a Deus, mas muitos não desejam compromisso com Jesus. É melhor criar um "deus" conveniente, um rito fácil de explicar, que tenha uma imagem fisica projetada, ou que carrega as nossas tradições humanas e fortalece apenas os nossos desejos. Não pela graça, mas pelo orgulho e poder. 

Sem perceber, saímos do caminho. Passamos por tantos atalhos que se torna difícil saber onde estamos, o que é certo e o que é errado. A sociedade evoluiu tanto que palavras que antes tinham um significado claro já não significam mais a mesma coisa. “Fobia”, que era um medo intenso e irracional, hoje já pode não carregar esse sentido.

Nossa forma de viver mudou. Há pouco mais de 20 anos, saíamos sem o peso dos celulares nos bolsos e buscávamos informações em enciclopédias. As visitas eram constantes e valorizadas; cartas escritas à mão transmitiam amor, saudade ou até descontentamento.

Hoje, a promessa é: “o trabalho será opcional”, frase dita por um grande empresário do ramo da tecnologia. Mas será que já não chega de atalhos? Será que não estamos deixando de perceber as pequenas belezas da vida? O tempo tem passado tão rápido que o lamento parece durar mais que a felicidade.

Jesus é o caminho, o único caminho , mas tentam nos convencer de que tudo mudou, de que tudo é opcional. De fato, é. Porém, todo atalho carrega uma consequência. A tecnologia e as chamadas “evoluções” não alteram o que diz a Palavra.

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

(Romanos 12:2)

Para finalizar, observe atentamente qual pode ser o “atalho” da sua vida que esteja te afastando do caminho, da verdade e da vida, que é Jesus.

Assista a explicação do texto em nosso podcast


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