O perigo da ingratidão


Por: Aline Barcellos|

O perigo de desprezar o Maná

“E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil.”
Números 21:5

Confesso que, ao ler esse versículo, fiquei assustada com a forma como o povo ousou falar sobre o maná que Deus enviava todos os dias para nutrir e preservar suas vidas.

Em Números 11, eles já haviam desejado carne. Poderiam simplesmente apresentar seu pedido ao Senhor, mas a murmuração tomou conta do povo. Deus então lhes concedeu carne em abundância. Agora, em Números 21, eles novamente demonstram insatisfação, desta vez desdenhando do próprio maná.

O problema da ingratidão está justamente nesse perigo: desprezar aquilo que Deus nos deu enquanto desejamos aquilo que ainda não temos.

Eles disseram que estavam com “fastio”, isto é, sentiam repugnância pelo maná. E isso me confrontou profundamente.

Às vezes, falamos sobre Israel como se fôssemos completamente diferentes daquele povo. Mas a verdade é que também podemos nos reconhecer nessa história.

Não há problema em desejar algo diferente ou buscar algo melhor. O problema começa quando desprezamos aquilo que temos simplesmente porque desejamos aquilo que ainda não conseguimos.

Você não precisa menosprezar sua casa atual para desejar uma casa melhor.

Você não precisa menosprezar seu curso para sonhar com outra formação no futuro.

Você não precisa desprezar aquilo que possui enquanto busca conquistar aquilo que ainda não tem.

Israel passou a tratar o maná como algo indigno. Eles acreditavam que aquilo que Deus havia providenciado já não era suficiente para eles.

E o que aconteceu?

“Então o Senhor mandou entre o povo serpentes ardentes, que picaram o povo; e morreu muita gente em Israel.”
Números 21:6

As serpentes já faziam parte da realidade daquele deserto, mas naquele momento Deus permitiu que o povo experimentasse as consequências do seu pecado e da sua murmuração.

Aqui precisamos ter cuidado para não afirmar que toda ingratidão automaticamente “retira proteções” de Deus. O texto não apresenta essa fórmula. O que ele apresenta claramente é que Deus julgou a murmuração do povo e permitiu que as serpentes os atingissem.

E talvez essa seja uma das partes mais sérias da passagem: podemos desejar tanto aquilo que ainda não temos que acabamos desprezando aquilo que Deus já colocou diante de nós.

Quando nosso coração passa a considerar insuficiente aquilo que Deus nos concede, a nossa insatisfação pode nos conduzir por caminhos perigosos.

O povo então reconheceu seu pecado e pediu que Moisés intercedesse.

E Deus respondeu:

“E disse o Senhor a Moisés: Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela.”
Números 21:8

E é aqui que essa história aponta diretamente para Cristo.

O próprio Jesus estabeleceu essa conexão:

“E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado.”
João 3:14

A serpente levantada no deserto aponta para a obra de Cristo. Aqueles que haviam sido atingidos encontravam vida ao olhar para aquilo que Deus havia determinado. Da mesma maneira, Jesus aponta para si mesmo como aquele que seria levantado para trazer vida.

Isso nos mostra algo extraordinário: apesar da ingratidão e do pecado humano, Deus continua oferecendo um caminho de restauração.

Por isso, decidamos hoje cultivar um coração grato.

Não significa que nunca desejaremos mudanças. Não significa que devemos permanecer para sempre na mesma condição ou deixar de buscar crescimento.

Podemos desejar coisas maiores.

Podemos trabalhar por mudanças.

Podemos sonhar com uma nova casa, uma nova formação, uma nova oportunidade ou uma nova fase.

Mas não precisamos destruir o valor do presente para celebrar aquilo que desejamos para o futuro.

Anúncio 

Não precisamos desprezar o maná enquanto esperamos pela promessa.

Porque nem sempre teremos tudo o que queremos, mas podemos aprender a agradecer por aquilo que Deus já colocou em nossas mãos.

Um dia o maná cessou.

Josué 5:12 nos mostra que, depois que Israel entrou na Terra Prometida, o maná deixou de cair e eles passaram a comer dos frutos daquela terra.

Deus sabia quando o maná deveria começar.

Deus sabia quando o maná deveria terminar.

A nossa parte é caminhar com fidelidade enquanto esperamos.

Não precisamos apressar o tempo da promessa.

Talvez aquilo que hoje parece simples seja exatamente o que Deus está usando para nos sustentar nesta etapa.

Então, enquanto esperamos pelo novo, aprendamos a agradecer pelo presente.

Não despreze o maná.

Reactions

Postar um comentário

0 Comentários