Por: Lays Rosado|
O livro de Mateus conta, em sua maior parte, os feitos de Cristo durante a sua caminhada aqui na terra. O capítulo 17 não é diferente: ele se inicia com Jesus no monte da transfiguração, logo após expulsando um demônio de um menino e, por fim, termina com Ele demonstrando obediência e realizando um milagre por meio do natural.
²⁴ E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas?
²⁵ Disse ele: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios?
²⁶ Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, estão livres os filhos.
²⁷ Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir e, abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o e dá-o por mim e por ti.
Mateus 17:24-27
Nesse texto que acabamos de ler, Pedro é confrontado por questões de natureza humana acerca de seu mestre. Afinal, a cobrança de imposto no templo era feita para todos os homens acima de 20 anos, com o objetivo de manutenção do próprio templo. Naquele quesito, sobre leis locais e humanas, apesar de ser Deus, Jesus deu o exemplo e cumpriu toda a justiça como homem que era.
O próprio Pedro responde aos cobradores de impostos que Jesus pagava o tributo, antes mesmo de falar com Ele. Isso mostra uma coisa: Pedro conhecia a conduta do seu mestre a ponto de afirmar uma atitude sua, mesmo sem confirmar antes. A Palavra de Deus nos diz que Jesus cumpriu todas as coisas com justiça e retidão, e isso incluiu uma maneira de viver como homem de forma digna. Aqui, nosso mestre nos chama a não romper com os princípios impostos pela lei governante.
Uma coisa é certa: você precisa viver dentro da lei. Sua maneira de viver deve honrar e glorificar Cristo. Cristãos não fazem negócios ilícitos, não escolhem o erro para se beneficiar. Por vezes será necessário pagar o preço por andarmos de forma correta perante os homens, mas foi para isso que fomos chamados. O nosso lucro é Cristo. Anunciamos a nossa fé quando não temos do que nos envergonhar diante dos homens.
Mas o que mais me chama atenção nesse texto é como Jesus usa algo natural da vida do homem para derramar a Sua graça. Voltando a Pedro, vemos algo interessante: Jesus o indaga se deve pagar ou não o imposto e, após uma breve explicação, ordena algo muito natural para ele: “Vá e pesque!”.
Acredito que todos conhecem quem é Pedro. Antes de ser chamado para ser pescador de homens, ele era um pescador hábil, que sustentava sua família por meio dessa função. Para Pedro, o mar era um lugar natural, de conforto e provisão. Jesus, naquele momento, pede a Pedro algo que já era comum para ele nada novo, excepcional ou inovador, algo cotidiano, simples, até mesmo repetitivo.
Quantas vezes estamos tão acostumados com nossa rotina que deixamos de valorizá-la? O ser humano tende a não valorizar aquilo que já não é novidade. Coisas que fizeram parte da nossa história por muito tempo acabam sendo desconsideradas, mesmo sendo importantes.
Nesse momento, quando Jesus chama Pedro, há um convite e um lembrete: não se esqueça de onde você veio. Mas também há uma revelação: Eu derramo a minha graça naquilo que é natural para você. O Senhor é Deus sobre tudo, inclusive sobre aquilo que pensamos dominar com a força do nosso braço.
Pedro sabia pescar. Mas Jesus mostra algo maior: você sabe pescar, mas sou Eu quem faz o peixe vir com provisão dentro dele. Cristo expande a mente de Pedro, revelando o Deus da provisão que age até no comum.
Quantas vezes Jesus está provendo em nossa caminhada e estamos cegos para enxergar? No cotidiano, o Senhor provê todos os dias, mas nos acostumamos tanto com a rotina que pensamos que é apenas fruto do nosso esforço.
Mas não é. O Senhor tem derramado graça sobre nós diariamente, inclusive colocando “denários” na boca dos nossos “peixes”.
Quando começarmos a viver nossa rotina com expectativa da graça, veremos a provisão de Deus de forma mais clara. E, então, nossos corações serão mais gratos e nossos lábios mais prontos para glorificar o Deus da provisão.

.png)
0 Comentários